sexta-feira, 22 de junho de 2007

Acorda Goiana.


Goiana adorada de encantos.

Mal te vejo

querendo acordar do sono da morte.

Longo pesadelo da rainha da mata norte.

Acorda Goiana para a poesia,

se liberta desta agonia colonial,

vista na insensatez do vasto canavial,

na arrogância do engenho,

na submissão da senzala

e no poder da influência

portuguesa ou católica.

Acorda Goiana litorânea

que retrata com tristeza

a ausência do povo de grandeza

e a presença do público de migalhas.

Acorda Goiana africana.

Embalada pela fúnebre cantiga da tarde.

Que no fogo da história sangrenta arde.

Acorrentada pela escravidão.

Se libertando pela coragem dos quilombos.

Acorda Goiana esquecida pela política suja

como as ruas de ratos e baratas

que exalam chorume.

Esgoto à céu aberto.

Crianças da noite.

Mendigos que dormem.

Predominante pobreza periférica.

Vítimas da violenta covardia.

Goiana de todas as rodas:

roda da loucura,

roda da liberdade na “13 de maio”,

roda das idéias.

Goiana da juventude que sonha...

No bar, a roda da cachaça.

Na praça, a roda da maconha.

Duquesa dos refinados poemas do crepúsculo.

Goiana do “Silêncio Interrompido”

por grandes talentos.

Acorda meu bem...

Queremos te ver cantando em círculos aéreos.

Acorda Goiana adorada.

Esquece o pesado fardo

da longa noite passada

e abre os olhos para a demorada alvorada.

Um comentário:

Imaginário disse...

Olá.. recebi esse endereço de blog no meu e-mail.
Como você conseguiu meu e-mail?
Gostei do blog. Bastante.