
Tua exibição formal
Não, queres que suplique?
Pode ser tudo irreal
Me castigue
Mas, não consinta meu mal.
Depois, me divide
de modo carnal.
Ninguém sabe da fonte
que forjando a dor
embeleza a flor.
Faz a ponte do amor.
No horizonte com torpor.
Entre o sempre,
decorrente do ventre
e o nada, pertencente
a mente e ao presente
que me perde e acha
na sombra da incerteza.
Junto à luz e sem clareza
definho na marcha que sonda
através das brechas
a destreza.
Nela, encontra escondido
o sentido maldito.
Nele, a turba atira flechas
que abre feridas espessas.
É isso que confunde:
de repente a idéia surge
diz que mude.
Acordei, não sou imune.
O medo resume.
A necessidade assume.
O elevado cume.
O corpo na alma se une.
O bem no mal se funde.
O paradoxo está claro:
porém, poucos percebem.
Foi colocado
no momento exato
da criação,
mesmo que neguem.
Perseguem, lado a lado
limitação e alienação
controlo e sou controlado
esta é a condição
estabelecida de antemão
não me perguntaram
não pediram minha opinião.
No entanto, percebi
que aqui existia
alguém que pensa
ri e chora.
Não pude decidir
Sempre me via
O instinto com a prensa
ora ditava
ora calava
cantava e gritava
chorava e gargalhava
me permitindo respirar
para continuar
o sonho que embala
o ser que embriaga
a esperança induz a saga
de descobrir na existência
a mesma ausência.
Oscilam as sensações
Multiplicam-se as interrogações
Cresce a dependência.
Se perpetua a vida
Não sou quem dita
O tempo da volta ou da ida
Tudo é uma lacuna
Tenho comigo a dúvida
de saber como nasce a pluma
que aquece do frio
propicia a coragem
de confiar no meu brio.
Na hora do voar selvagem
rumo ao além.
Um comentário:
Impressiona pela sensibilidade, sutileza e ao mesmo tempo pela força das palavras!!
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