quarta-feira, 13 de junho de 2007

Impulso vital


Tua exibição formal

Não, queres que suplique?

Pode ser tudo irreal

Me castigue

Mas, não consinta meu mal.

Depois, me divide

de modo carnal.

Ninguém sabe da fonte

que forjando a dor

embeleza a flor.

Faz a ponte do amor.

No horizonte com torpor.

Entre o sempre,

decorrente do ventre

e o nada, pertencente

a mente e ao presente

que me perde e acha

na sombra da incerteza.

Junto à luz e sem clareza

definho na marcha que sonda

através das brechas

a destreza.

Nela, encontra escondido

o sentido maldito.

Nele, a turba atira flechas

que abre feridas espessas.

É isso que confunde:

de repente a idéia surge

diz que mude.

Acordei, não sou imune.

O medo resume.

A necessidade assume.

O elevado cume.

O corpo na alma se une.

O bem no mal se funde.

O paradoxo está claro:

porém, poucos percebem.

Foi colocado

no momento exato

da criação,

mesmo que neguem.


Perseguem, lado a lado

limitação e alienação

controlo e sou controlado

esta é a condição

estabelecida de antemão

não me perguntaram

não pediram minha opinião.

No entanto, percebi

que aqui existia

alguém que pensa

ri e chora.

Não pude decidir

Sempre me via

O instinto com a prensa

ora ditava

ora calava

cantava e gritava

chorava e gargalhava

me permitindo respirar

para continuar

o sonho que embala

o ser que embriaga

a esperança induz a saga

de descobrir na existência

a mesma ausência.

Oscilam as sensações

Multiplicam-se as interrogações

Cresce a dependência.

Se perpetua a vida

Não sou quem dita

O tempo da volta ou da ida

Tudo é uma lacuna

Tenho comigo a dúvida

de saber como nasce a pluma

que aquece do frio

propicia a coragem

de confiar no meu brio.

Na hora do voar selvagem

rumo ao além.


Um comentário:

Agnes Mirra disse...

Impressiona pela sensibilidade, sutileza e ao mesmo tempo pela força das palavras!!