domingo, 17 de junho de 2007

Manhã de um pássaro



Canto forte fizeste ecoar.

Pranto morte quiseste destoar.

Surgiu na janela, colorida...

Perfil amarela vida.

Foi numa manhã cinzenta.

Fugaz irmã inventa...

E traz de volta num segundo...

Refaz e solta o mundo.

Te vejo bela à espreita.

Ensejo anela enfeita.

Evoca origens perdidas.

Provoca vertigens desconhecidas.

Canta amável pra mim.

Espanta inevitável fim.

Quero ouvir teu grito de guerra.

Sentir mel que a boca encerra.

Vislumbrar teu retorno inesperado.

Relembrar teu contorno ilustrado.

E poder morrer sabendo que viestes,

Mais uma vez, à minha janela.

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